Wednesday, April 13, 2011

Banca Rota


Quando iniciei este blog, supostamente, seria apenas para dissertações, poesia e sugestões culturais.

A vida roubou-me tempo à escrita, o que é uma pena...

Aliás, a vida rouba-nos muitas coisas.

Somos constantemente assaltados e não damos conta.

Ao olhar para o "Estado" do nosso país fico apavorada.....

Mas, que governantes, políticos....que espécie de gente esteve a governar esta casa que, não fosse a chegada do FMI ficaria sem pão, água, leite....ficava sem as reformas dos nossos pais, que já penaram tanto ao longo da vida....

Não gosto desta casa.

Um semanário, na passada semana, trazia um artigo muito interessante...."Lá fora é que se está bem"....e traduzia exemplos de portugueses que, sem emprego cá dentro, emigraram e têm carreiras bem sucedidas com bons salários.

Dá que pensar!

Dá muito que pensar!

Está a assistir-se a um fenómeno de emigração como não havia antes do 25 de Abril...

Que ventos de mudança são estes?

Com direito a tsunamis, terramotos, centrais nucleares a explodir, vulcões a eclodir e dinheiro a desaparecer dos cofres do Estado?

Banca rota, mais que rota....é o estado geral da nação: sem dinheiro, sem emprego, sem afectos, sem nada.

Wednesday, November 17, 2010

Bolhas de Actimel


Hoje, apeteceu-me escrever....

A Carla Matilde é enfermeira na urgência de um hospital.
Todos os dias "embrulha" doentes, gere emoções fortes, vê o que ninguém quer ver...
A idade é tenra, mas a maturidade nem tanto...
Também aprendemos com os mais novos...
Um destes dias, disse-me que, antes de entrar no corredor da incerteza entre vida e morte, veste uma capa para se proteger de tudo... uma espécie de actimel, que a faça ser boa profissional, mas não a impeça de viver e ter discernimento para actuar.
Pergunto a mim própria se, nós, trabalhadores de grandes empresas,não deveríamos fazer o mesmo.
Trabalhamos mais de 12h/ dia, a uma velocidade anti-natura.

É importante a forma como se enfrenta o dia.
Caso contrário, seremos esmagados por ele.

Hoje, entrei na Bolha do Actimel.
Não deixei de dar tudo de mim, mas também não deixei que as más energias me afectassem e influenciassem...e, consegui vir até casa, a ouvir e sentir boa música.

A vida de hoje não é igual à de ontem.
Temos de nos adaptar, ser pró-activos, ter jogo de cintura para vivermos com saúde e ser felizes.
O actimel imaginário é o meu registo de hoje...não é um poema, mas permite-me chegar a casa com inspiração para flutuar pela escrita, pela voz, pelos sonhos...
Viver em vez de sobreviver...
Atrair energias positivas e rodearmo-nos de quem gosta de nós.
O segredo... o equilíbrio...

Um beijinho à Carla Matilde por me ter trazido este actimel tão especial.
Um obrigada gigante aos colegas de profissão, que se cruzaram comigo e foram surpresas magníficas, correntes fortes, pessoas inteiras, de corpo e alma.

Hoje, a vida é isto.
Vamos vivê-la, mesmo que tenhamos de alterar alguns comportamentos.
Em prol da saúde e de um sorriso, tudo vale a pena...até porque a alma - pelo menos, a minha - essa, nunca é pequena...

Thursday, June 3, 2010

Devaneios reais


A idade pesa para nascerem papoilas do campo
É tarde para tudo e tanta coisa
Há diferenças injustas que não se entendem
Que são fardo no 3º andar das memórias
Há um tempo que avança
E outro que persiste em ficar
Será loucura querer o sol e o luar?
A cama de ferro tem lençóis de linho
Mas, não tem companhia
Os livros contam histórias magníficas
E os cds preenchem a alma
Mas, não há partilha
Seguem pontos de interrogação
Na estrada que é a vida
Sem respostas
Injusta, de quando em vez
E orgulhosa e persistente
No destino que traçou.
Os estados de alma são a metáfora
De muitos sofrimentos por enterrar
Ultrapassar ou esquecer.
É assim, a vida... corrida, sem tempo e, às vezes, nem alento...

Tuesday, June 1, 2010

A idade dos comboios da nossa inocência



Leitor de cd: “um sorriso vale tudo”


Este texto é dedicado a pessoas generosas que fizeram uma música linda e emprestaram o seu talento e dedicação a uma causa nobre: A Terra dos Sonhos...
Este pequeno textinho é a minha homenagem a essa Instituição e a todos aqueles que se dedicam a ajudar os outros....




Sou uma bailarina de uma caixinha de música
E vim passear com um amigo, num comboio imenso
De sonhos
De girassóis gigantes
Montanhas verdes e brancas pintadas de chocolates e esperança
Recuei no tempo e não me apetece avançar
Nesta bolhinha de canções, emoções e afectos
A vida é tão melhor...
Sou inocente
Bailarina
Cantora
Sonhadora
Carpinteira do Pinóquio
A Bela do Monstro que vou encontrar um dia
Trabalho num circo
O comboio é gigante....
Cada carruagem é o inesperado bom...
Em cada janela, uma imaginação
Não há gritos mudos
E “um sorriso vale tudo”....

Saturday, January 23, 2010

Um tango no nevoeiro....a vida...


A tristeza e a Bethânia sentaram-se no meu silêncio a conversar

para eu conseguir chorar.

Não houve samba de neguinho, nem alegria.

Abriu-se uma porta do coração para deixar o lamento e a saudade sair.

Ficaram a esperança e um sonho de amor e aconchego,longínquo, distante...


Em sonhos, dancei um tango e entreguei-me perdidamente...

O suor transpirou reticências e lamentos adormecidos.

A loucura é assim...é a vida desviada...

Aparece intensa e desesperada

e deixa pendurado, ou na prateleira, o que ficou por fazer.


Nas vivências, as palavras intensas, a pele marcada e amada

num tempo efémero porque nunca houve tempo nem espaço.


Fica o muito do pouco, o mito, o grito, o alerta, o desespero do incompleto...

Ficam as mãos dos meus pianistas...as sonoridades mais bonitas e tristes..


E fico eu e a vida e o passado e o presente e o futuro

sentados na janela de um relógio que não pára

a tentar entender o porquê do lirismo dos prazeres diários

das vontades não darem lugar à realidade.


Como diria Jorge Fernando...."Ai, vida"...

Tuesday, January 12, 2010

The clown is crying




O palhaço tem por hábito um sorriso largo

uns olhos grandes e expressivos.

Esta noite, sentou-se na soleira da porta

com o coração partido na mão.

Passou uma criança e perguntou:

"Ficaste sem coração?"

"Partiu e nõ o consigo recuperar... Só o amor o pode reestruturar e, esse, não quer nada comigo!"

"Não fiques assim" - disse a criança - " Não percas a esperança! As coisas boas da vida acontecem quando menos esperamos."

O palhaço levantou o olhar, apertou o coração, olhou o luar e disse:

"É verdade o que disseste, mas é preciso acreditar...Eu só sei amar...amar perdidamente...estou velho e cansado e, se a vida não quis que eu fosse amado é porque não tinha de ser. É com mágoa que o digo, mas é verdade."

"E o teu coração, palhaço?"

"Está a chorar...."

Thursday, January 7, 2010

"That's all" é muito pouco para tudo isto


Sentei-me a ler os sons de cada dedo que deslizava no piano
Senti-me em New York City
Entre néons, saxophones, vozes negras
Jazz, soul, rhythm and blues
O andamento da música fez-me sentir o swing e dançar
A loucura é válida entre os sons e a cumplicidade
Não há limites
O palco e o público são um em êxtase e diversão total
O meu pé bate no chão
Fecho os olhos
A cabeça abana afirmativamente e com um sorriso
Que felicidade...
Se morresse agora, não me importaria...
É preciso sentir para viver!
“Baby, that’s all”


Dedicado a esse grande músico que é André Sarbib

André, um beijo e até jazz!