Wednesday, November 2, 2011

Mãe Preta



Essa Terra que nos acolhe



e tantos maltratam



agora se reflecte



nas bruscas variações de temperatura



nas febres



constipações



ansiedades



dores no corpo....



"Cada um faz a cama em que se deita"



e o homem poderia ter usado a sua inteligência



e não ter maltratado quem lhe deu a vida.



"Cá se fazem, cá se pagam"



e o "vai-se andando"



"vai de mal a pior"



por culpa inscritível



de um animal chamado Homem....

Thursday, October 27, 2011

Coração de Papelão










Observo.


Penso.


Interiorizo.


Sinto.


De que são feitos os corações?


Os dos outros....


Daqueles que o não têm


só rasgam


e magoam....


Mentira ou engano?


Duas faces da mesma moeda.


Quando observo


vejo gente baralhada


sem ser simples


nem prática


nem feliz


e interiorizo...


o que disseram


as atitudes que tomaram


e ficaram por tomar.


Sinto


mais uma vez


a desilusão e a mágoa


a tristeza de amar


quem do amor


não sabe nada


quem tem medo


e não quer ajuda


quando amar


pode ser tudo


menos uma tristeza....


Sinto que o meu coração


é de papelão


e o rasgam muitas vezes.


Lá se mantém colado


remendado


com fotos


imagens

e pensamentos

mas nunca sarado


da infantilidade cruel


dos outros...


ambiciosos na matéria


católicos de religião


e tão pobres no afecto


e na emoção.


O meu coração é de papelão!....
















Tuesday, October 18, 2011

"As Serviçais"






À minha mãe....






Um dos melhores filmes do ano.



Uma das histórias mais comoventes e fantástica a que assisti, nas salas de cinema.



Sim, ir ao cinema fica caro e estamos em crise, mas o bálsamo que nos vem à alma tudo supera.



Sempre tive um enorme fascínio pela História dos Estados-Unidos, nomeadamente, pela escravatura, pelas suas estórias e relatos mais do que verídicos, as suas músicas, sabedoria, entrega, esforço que nós - pessoas de raça branca - não soubémos respeitar.



"Não te importes da raça nem da côr da pele" é o que apetece proferir a cada página da tela, a cada resposta "torta" a uma criada que, só por ser de outra côr não pode usar a mesma casa-de-banho dos brancos ( dizem, por causa das doenças que transmitem), não tem direito a opinião - apenas obedecer e trabalhar, trabalhar, trabalhar....sem resmungar....uma ditadura racial sem justificação, mas com consequências.



Depois de sair da sala de cinema, fiquei ainda mais feliz por os Estados Unidos terem um Presidente de raça negra.



A história de "As Serviçais" é a história, também, de muitas mulheres portuguesas que, com catorze anos, vinham das aldeias trabalhar árduamente para as "senhoras" da cidade - grandes vivendas, famílias numerosas, onde só o homem trabalhava e onde a criada era a cozinheira, a que engomava, a que criava os filhos da senhora da casa ( então preocupada com hipócritas acções de solidariedade e "chás das cinco" com tias da mesma forma que nem um bolo sabiam fazer).



Lembrei-me da história de vida da minha mãe, de quem muito me orgulho.



De pequenina, menina e moça, saiu de casa dos meus avós, onde uma sardinha dava para 6 ou 7 bocas....eram felizes no meio dos campos de trigo e do que a terra dava...mas não havia dinheiro para sustentar tanta gente...apenas boa-vontade e fraternidade....



Começou a ganhar dinheiro para enviar à minha avó e facilitar o crescimento dos irmãos mais novos....trabalhava de sol a sol - como "as serviçais" deste filme - a acordar à hora que os patrões quiséssem para levar água ao quarto, para trocar o pote sujo ao lado da cama, para embalar o filho mais novo que chorava - o senhor da casa precisava descansar a mente para ir trabalhar no dia seguinte.



Orgulhei-me tanto daquelas mulheres negras e lindas....do filme....e, em paralelo, senti, sinto e sentirei um enorme orgulho na minha mãe que, com 73 anos, juntamente com o meu pai, percorreram um caminho de trabalho digno e árduo, pouparam e deram-me aquilo que eu considero uma boa Formação.



Aprendi com as suas histórias e com a escola da vida.



Ainda hoje aprendo....



E....com este filme, também aprendi....acrescentei mais alguma coisa aos meus quase 38 anos.



Sinto-me imensa e feliz...por ser a pessoa que sou, grata pelos pais que tenho, pelos sonhos que concretizei, por ainda conseguir ser criança nas emoções e nos afectos - creio que, de uma forma eterna - por amar as palavras, a escrita, o "soul" e os "blues" desta raça negra que foi escrava como alguns brancos também o foram e ainda são.



Vejam o filme!



Leiam o livro!



Repensem as v/ vidas e agarrem os v/ sonhos com luta, coragem, crença, perseverança....



"As Serviçais" ( "The Help", em inglês) pode ter uma fatia de história e pensamentos de cada um de nós...é, simplesmente, genial!....



Thursday, September 29, 2011

Grito Vagabundo






Dedicado a Rogério Charraz






Vida



Memórias



Alma Lusa



Palavras e imagens



que não consigo contar.






Vida



são estes apertos



que soltamos em grito



e perpetuamos



no espaço



e no tempo



numa canção que fica



permanece



aconhega



enobrece



e anoitece...






Vida



Saudade



dos amigos que partiram



Do que ainda não vivi



De tudo que canto numa Taverna



em cada noite que finda



e a mente faz relembrar histórias



e inventar estórias



inesquecíveis



e abençoadas.






Vida



Mar



Gaivotas perdidas no areal






mas não solitário com um grito



infinito



que fará



para todo o sempre



parte de mim....






Wednesday, September 21, 2011

Os Outros e Eu



Até gosto do ano em que nasci...1973...
Parece-me um número bonito
e a década foi farta em revoluções
originalidade
união
grandes poemas
músicas intemporais e inesquecíveis...

Não gosto do ano em que vivo...2011...
Parece-me um número feio
um início de década atribulado
onde tudo se copia
algumas coisas ( e pessoas) se transformam....
onde as Redes Sociais
colmatam a falta de tempo
para estar com os outros
e comigo também.
Até os poemas que escrevo
me parecem repetidos.
Só a música se "safa"
pelo número de pessoas com talento
mas a quem Portugal não dá valor...

No ano em que nasci,
os Outros eram unidos
preocupavam-se
eram amigos.

No ano em que vivo,
não há grupos - a não ser no Facebook
As pessoas só olham para o seu umbigo
e cada problema que têm é o centro do mundo.
Andam tão cansadas
pressionadas
desgastadas
que quem leva a bofetada
é "o elo mais fraco"
e não quem bem a merece.
Já não há amigos...
há conhecidos
e colegas de trabalho.
Mas...começo a acreditar que...
também a palavra colega....
também essa
está a entrar em desuso...

No ano em que nasci,
as pessoas tinham um emprego
e uma vida social e familiar.

No ano em que vivo
as pessoas são escravas do trabalho
e dos Outros
e sobrevivem, não vivem....
apenas correm atrás uns dos outros...
ainda não percebi muito bem porquê.
Alguns, tropeçam
caiem
são atropelados...
ninguém se entende...

No ano em que eu nasci,
Portugal estava prestes a gritar "Liberdade"
e as pessoas eram verdadeiramente felizes
com tão pouco e um cravo na mão.

No ano em que vivo,
existe libertinagem
falta de educação
desrespeito pelo outro
falta de brio profissional...
Toda a gente entrou em falência
com "ipods" no bolso e carros topo de gama.

O que aconteceu à felicidade do ano em que nasci?
Onde estão esses Outros
que eram amigos,
bons colegas,
bons pais?...
Onde estão esses Outros
cheios de tudo
neste ano cheio de nada?

Eu?
Eu estou aqui.
Estou farta e exausta do nada.
Talvez porque em mim
ainda vive o tudo
do ano .... em que nasci...


Saudade Triste






Um impulso de escrever



fez-me pegar na guitarra de cordas de aço



nada toquei



apenas sonhei



e relembrei...



a saudade anda comigo a toda a hora



é a irmã que eu não tenho



um pedaço de ti e de mim...



Sim....de ti, que deixaste de ser meu amigo



mas continuas a ler o que escrevo.



"Estranha forma de vida"



de ser



e estar



ausente



quando se quer presente.



A saudade não vai embora



e, quando não é ligeira,



entra em casa e mora connosco



cansa e desgasta



dilacera a alma e o coração...



corrói e destrói....


É uma tristeza....






Tuesday, August 2, 2011

Uma carta para ti....


Para um Edu que já não existe....


Pergunto-me quando irei gostar mais de mim do que dos outros...
Quando aprenderei a ser verdadeiramente egoísta ao ponto de me amar,
mimar,
cuidar mais
do que aqueles que parecem gostar
de mim.
Estou sentada no meu castelo
a pensar que, isto de ser princesa tem os seus custos.
Eu pago caro nas emoções...
A minha sensibilidade leva-me a gostar das pessoas que gostam das mesmas coisas que eu,
com a mesma intensidade,
a mesma entrega e cumplicidade.
Assim aconteceu, Edu.
Mas, eu estava tranquila,
no meu canto,
quando decidiste falar comigo,
partilhar músicas com as quais nos identificávamos...
Perguntaste se eu queria ir tomar café
e ficámos perdidos nas palavras
e nas imagens até às dez da noite...
Deste-me um Abraço que senti ser o último,
mesmo sem nunca to dizer.
Depois de muita partilha e troca de gostos, opiniões,
sugestões de escrita....
a tua Ausência...
Ontem, senti um murro no estômago -
daqueles que dóiem mais do que quando é a sério.
Finalmente, deste notícias, mas eram tão más, tão tristes,
que eu nem queria acreditar.
Pediste para me afastar de ti.
Tens a Loucura dos Poetas,
o extremo dos escorpiões.
Deus queira que não te arrependas,
que isto de afastar os Amigos
em prol de um Amor
é duro de se ouvir
e difícil de entender.
Mas, que amor é esse onde não cabem as Amizades
e Afectos que construíste?
As desculpas evitam-se!
Estava tão em Paz...
O que foste fazer e com que direito?
Estou triste.
Tenho pena....muita pena....
e, infelizmente para mim,
sinto saudades...
Hoje, tinha mesmo de escrever
que a minha alma rebentava
se eu não o fizesse.
Sinto-me exausta....e, como diria Eugénio de Andrade..."As Palavras estão gastas...Adeus"....
com uma dor imensa em saber que te perdi para sempre.

Escrito na noite de 1 de Agosto.
Foto de José Eduardo Andrade